Thursday, November 21, 2013

A cruz que o homem burro leva

Hoje de manhã, vi um homem carregando uma cruz. Fui investigar a situação, e descobri que ele carregou a cruz sete léguas para cumprir uma promessa que ele fez para a Santa Bárbara. Ele quis entrar na igreja, mas o padre não deixou, dizendo que era uma promessa para Iansã; mas esse homem não desistiu. Causou uma bagunça na praça da igreja. Veio um repórter e um monte de gente querendo saber mais. Veio uma turma de pessoas querendo ajudar a causa dele. O repórter até garantiu o sucesso desse homem, prometendo ele dinheiro e atenção da mídia. Mas esse homem “dedicado” e “santo” rejeitou tudo! Não entendo pessoas assim. Penso que a vida é um jogo. Tem regras que todo o mundo sabe, mas ninguém as segue. O propósito da vida é fazer o necessário para melhorar a sua situação. Se não houvesse outro jeito de adquirir dinheiro, até eu carregava uma cruz alguma distância se atraísse tanta atenção e gerasse tantas possibilidades de aproveitar o pessoal. Mas esse burro fez tudo aquilo por devoção a uma Santa? Felizmente, há muitas maneiras de ganhar dinheiro, e muitas pessoas que estão mais que dispostos a me ajudar na minha jornada ao sucesso. Nem é necessário trabalho árduo – o homem só precisa ser astuto. Só precisa perceber as oportunidades e usá-las para o seu proveito. Quando homem agem como um burro, ele tem uma pesada cruz para carregar – a pobreza. Deixa que este homem leve a cruz de volta para sua casa!

Bonitão

Thursday, November 14, 2013

"Bonitão: Se você viesse pra cidade, eu podia lhe garantir um bonito futuro...
 Rosa: Fazento o quê?
 Isso depois se via" (O Pagador de Promessas, p. 20)

Esta semana, discutimos na sala de aula a respeito dos aspectos de peças de teatro.  Um aspecto predominante é que sempre há simbolismo.  Teatros têm algumas limitações.  Por exemplo, uma peça de teatro é limitada pelo tempo que uma pessoa na audiência está disposta a ficar sentado assistindo.  Narrativas não têm essa limitação; os leitores podem pegar o livro é lê-lo quando têm tempo ou quando querem.  Por causa da limitação de tempo, autores de peças de teatro geralmente têm que usar bastante simbolismo para transmitir sua mensagem de modo eficaz.  Muitas coisas podem fazer parte do simbolismo de uma peça, incluindo mas não limitada ao tempo, os lugares onde passam os acontecimentos da peça, os personagens, ou até objetos.  O Pagador de Promessas é cheia de simbolismo.

Um simbolismo específico se manifesta na citação de cima.  Bonitão já implanta a ideia na cabeça da Rosa de vir morar na cidade.  A cidade representa corrupção, imoralidade, e vaidade.  Bonitão também representa essas coisas.  É mais que isso.  Ele só quer aproveitar das pessoas.  Ele vê tudo como capital que pode ser usada para criar riqueza e sucesso e melhorar a sua posição na vida.  É possível melhorar a sua situação sem aproveitar dos outros, mas ele não se importa com isso.  Ele só foca em si mesmo.  Ele representa um ideal que muitas pessoas no mundo tem.  Zé e Rosa, por outro lado, representam simplicidade, um tipo de pureza inocente e ingênuo, e até ignorância.  Eles são tão simples e tão ingênuos que parece que nem entendem o que acontece ou seu redor.  Nem parece que se importam muito.

Acho que, até agora, Gomes quer mostrar como a tolice, simplicidade, e ignorância de uma pessoa pode levar à sua destruição.  Essa destruição vem pela influência da corrupção, da imoralidade, e dos valores do mundo.  Se prestamos atenção ao mundo, podemos ver como isso é verdade.  Muitas pessoas ficam presos dessas coisas porque não tentam nem querem entender o mundo.  Não querem respeitar as pessoas ao seu redor.  Não querem aprender como melhorar as vidas das pessoas.  É isso que eu acho que o Dias Gomes quer passar para os leitores.

Thursday, November 7, 2013

O efeito da cultura

           Já se perguntou por que as pessoas no mundo são tão diferentes? Há essas diferenças na vida porque todos crescem e aprendem em diferentes situações e ambientes. Fazemos parte de comunidades, ou grupos de pessoas que têm alguns atributos e qualidades em comum. Essas comunidades podem ser famílias, bairros, cidades, estados, países, e até regiões do mundo. Mas, essas comunidades não se limitam a regiões geográficas – podem ser definidas por uma religião ou interesse, comum. Essas qualidades que caracterizam as comunidades fazem parte de tal cultura. Porque fazemos parte de tantas comunidades, acabamos adotando uma variedade de qualidades de todos esses grupos culturais. No seu poema “Auto Retrato,” o autor Rui Knopfli descreve a sua herança e as culturas que afeitaram a sua vida. Knopfli tenta passar ao leitor que a sua herança e cultura portuguesa afeitou a sua vida mais que qualquer outra cultura através do uso da linguagem figurativa, da forma de organizar o poema, e da contraste que há no poema.
O autor tenta mostrar a dominância da cultura e das qualidades portuguesas na sua vida por meio do uso de figuras de linguagem. Quando ele descreve tudo dele que foi influenciado pela sua linhagem portuguesa, Knopfli usa de uma rica linguagem figurativa. Ele utiliza o assíndeto algumas vezes no seu poema. Por exemplo, ele diz, “De português, o olhinho malandro, … a resposta certeira … , o prazer saboroso e enternecido da má-língua”. O uso do assíndeto aqui é interessante. Quando usa muitas conjunções, como a palavra “e,” a frase tende a enfatizar o tamanho da lista em vez do conteúdo dela. Mas quando se usa o assíndeto, o leitor tende a focar mais no conteúdo da lista, e é isso que Knopfli quer. Ele quer que os leitores foquem muito nos aspectos da sua vida que foram influenciados por sua herança portuguesa. Ele também usa da anáfora no seu poema, começando cada frase com as palavras, “De português.” Assim, ele enfatiza o fato que grande parte de quem ele é vem do português. Em conjunção com a anáfora, Knopfli usa o zeugma. A primeira estrofe diz, “De português tenho a nostalgia lírica...”. A segunda estrofe começa, “De português, a costela macabra …” e a terceira começa, “De português, o olhinho malandro …”. A palavra “tenho” é usada na primeira estrofe e omitia e implicada na segunda e terceira. O autor usa o zeugma para produzir o mesmo efeito que o assíndeto. Quantos menos palavras que são usadas, a significância das palavras é mais forte. Mais uma outra figura de linguagem que Rui Knopfli utiliza no poema é a sinestesia. Alguns exemplos de sinestesia no poema são, “a ardência árabe dos olhos”, “… incandescência súbita das palavras …”, e “o prazer saboroso e enternecido da má-língua”. O uso da sinestesia no poema afeita o seu tom. Quando Knopfli usa descrições sinestésicas assim, ele cria um tom místico e intrigante. As coisas que ele retrata parecem mais enigmáticas. O uso da sinestesia também deixa que o leitor use mais a sua imaginação, e é isso que Knopfli quer. Ele quer que pensemos e refletimos a respeito da sua herança portuguesa. Assim, ele usa a linguagem figurativa para chamar a atenção dos leitores àquilo que ele acha importante.
Knopfli também usa a forma e a organização do poema para enfatizar a importância e o grande tamanho da influência portuguesa na sua vida. No nível mais geral, podemos dividir esse poema em duas partes. A primeira parte é composto das primeiras três estrofes e retrata os aspectos da sua vida que são influenciadas pela cultura portuguesa. A segunda parte consiste nos dois últimos versos do poema e retrata aquilo que ele adquiriu da sua linhagem suíça. A primeira coisa que pode ser observada a respeito da forma e organização é que ele escolheu colocar a descrição da influência portuguesa primeiro. Ele quer que o leitor leia sobre a coisa mais importante primeiro para que elas fiquem na mente e para que o leitor possa ponderar sobre elas e internalizá-las antes de o leitor chegar na segunda parte, onde elas serão uma base de comparação. Outro aspecto da forma do poema que mostra que a cultura portuguesa é mais importante para Knopfli é o tamanho das duas partes. A primeira parte, a parte sobre a cultura portuguesa, consiste em dezoito versos, enquanto a segunda parte, sobre sua herança suíça, consiste em apenas dois. É notável que noventa por cento do poema concentra no Portugal enquanto dez por cento fala sobre a Suíça. Isso quer dizer que ele quer enfocar nos aspectos portugueses da sua vida. Ele dá pouca importância aos aspectos suíços da sua vida, como evidenciado pelo pequenez da parte do poema que fala sobre tal assunto. A combinação da ordem e dos tamanhos das duas partes do poema aumentam o efeito da forma e a organização que ele usa para passar sua mensagem.
Finalmente, Rui Knopfli usa contraste para mostrar como a cultura portuguesa afeitou a sua vida mais que qualquer outra influência. Esse contraste se manifesta em várias formas. É interessante notar que quando ele fala sobre as coisas portuguesas, ele usa bastante linguagem rebuscada e figurativa. Ele descreve bastante as características portuguesas. Mas ele não descreve nada sobre as características suíças. Na verdade, os dois versos que falam sobre as características suíças falam sobre o mínimo possível - “De suíço tenho, herdados de meu bisavô, / um relógio de bolso antigo e um vago, estranho nome”. Ele não entra em detalhes sobre a aparência ou a história do relógio, nem sobre o significado ou a etimologia do sobrenome. Ele claramente demonstra interesse a respeito da sua linhagem portuguesa e praticamente ignora tudo que vem da Suíça. Enquanto ele fala coisas boas e bem pensadas sobre tudo português, ele até fala mal do nome suíço que ele tem, dizendo apenas que é “um vago, estranho nome”. O fato dele gastar bastante tempo descrevendo tudo de português com bastante atenção e esforço e depois falando secamente sobre sua herança suíça é um exemplo de como ele valoriza mais a cultura portuguesa que a suíça.

Por meio do uso da linguagem figurativa, da forma e organização do poema, e da contraste que há no conteúdo dele, Knopfli demonstra que a sua vida foi mais afeitada pela sua herança portuguesa que as outras influências e culturas na sua vida. E é assim na vida de todas as pessoas. Todos tem várias culturas que influenciam as suas vidas e afeitam quem eles são. Muitas vezes, sentimos uma conexão mais forte com uma cultura específica que faz parte de nossa vida. Por isso, todos são diferentes, tem diferentes gostos e valores, e pensam de diferentes jeitos. E é isso que faz com que este mundo seja um lugar legal com novas ideias e invenções. Por isso, as pessoas têm que celebrar suas diferenças e unirem-se.

Friday, November 1, 2013

"De português tenho a nostalgia lírica
de coisas passadistas, de uma infância
amortalhada entre loucos girassóis e folguedos;
a ardência árabe dos olhos, o pendor
para os extremos: da lágrima pronta
à incandescência súbita das palavras contundentes
do riso claro à angústia mais amarga.

...
De suiço tenho, herdados de meu bisavô,
um relógio de bolso antigo e um vago, estranho nome." (Rui Knopfli, Auto Retrato)


Achei este poema muito interessante.  Esta semana na aula conversamos a respeito da diferença entre resumir e analisar um poema.  Resumir uma obra de literatura quer dizer simplificar a mensagem literal da literatura.  Um resumo deste poema seria assim: "Rui Knopfli fala sobre os muitos aspectos portugueses e os poucos suiços que fazem parte da sua vida."  O resumo é importante porque nos ajuda a analisar um pouco mas profundamente o poema.  Nos ponta na direção certa.  

Analisando esse poema nos ajuda a entender melhor a mensagem ou a ideia que o autor está tentando passar para os leitores.  Podemos analisar uma obra de literatura examinando as figuras de linguagem e lendo "entre as linhas."  A mensagem que entendi quando li este poema era a seguinte: "A herança portuguesa de Rui Knopfli é mais importante a ele que a sua herança suiça."  Ele fala quase o tempo todo sobre tudo de bom que ele adquiriu da sua herança portuguesa.  Ele usa linguagem muito colorida e boa para descrever sua linhagem portuguesa.  Depois disso, ele fala que ele só adquiriu um relógio antigo e um nome esquisito da sua herança suiça. 

Durante o poema, ele usa de metáforas para descrever sua linhagem portuguesa.  Ele faz comparações com coisas boas e místicas.  Ele usa de assíndetos para enfatizar a lista de atributos portugueses.  Ele usa de sinestesia também.  Ele usa essas e outras figuras de linguagem quando fala sobre sua herança portuguesa.  Mas quando ele fala sobre sua herança suiço, ele não utiliza figuras de linguagem.  Também ele não foca tanto na parte suiça da sua vida.  Por essas razões, acho que ele gosta mas de sua herança portuguesa.