Já
se perguntou por que as pessoas no mundo são tão diferentes? Há essas
diferenças na vida porque todos crescem e aprendem em diferentes situações e
ambientes. Fazemos parte de comunidades, ou grupos de pessoas que têm alguns atributos
e qualidades em comum. Essas comunidades podem ser famílias, bairros, cidades,
estados, países, e até regiões do mundo. Mas, essas comunidades não se limitam
a regiões geográficas – podem ser definidas por uma religião ou interesse,
comum. Essas qualidades que caracterizam as comunidades fazem parte de tal
cultura. Porque fazemos parte de tantas comunidades, acabamos adotando uma
variedade de qualidades de todos esses grupos culturais. No seu poema “Auto
Retrato,” o autor Rui Knopfli descreve a sua herança e as culturas que
afeitaram a sua vida. Knopfli tenta passar ao leitor que a sua herança e
cultura portuguesa afeitou a sua vida mais que qualquer outra cultura através
do uso da linguagem figurativa, da forma de organizar o poema, e da contraste
que há no poema.
O
autor tenta mostrar a dominância da cultura e das qualidades portuguesas na sua
vida por meio do uso de figuras de linguagem. Quando ele descreve tudo dele que
foi influenciado pela sua linhagem portuguesa, Knopfli usa de uma rica linguagem
figurativa. Ele utiliza o assíndeto algumas vezes no seu poema. Por exemplo, ele diz, “De português, o olhinho malandro, …
a resposta certeira … , o prazer saboroso e enternecido da má-língua”. O
uso do assíndeto aqui é interessante. Quando usa muitas conjunções, como a
palavra “e,” a frase tende a enfatizar o tamanho da lista em vez do conteúdo
dela. Mas quando se usa o assíndeto, o leitor tende a focar mais no conteúdo da
lista, e é isso que Knopfli quer. Ele quer que os leitores foquem muito nos
aspectos da sua vida que foram influenciados por sua herança portuguesa. Ele
também usa da anáfora no seu poema, começando cada frase com as palavras, “De
português.” Assim, ele enfatiza o fato que grande parte de quem ele é vem do
português. Em conjunção com a anáfora, Knopfli usa o zeugma. A primeira estrofe
diz, “De português tenho a nostalgia lírica...”. A segunda estrofe
começa, “De português, a costela macabra …” e a terceira começa, “De português,
o olhinho malandro …”. A palavra “tenho” é usada na primeira estrofe e
omitia e implicada na segunda e terceira. O autor usa o zeugma para produzir o
mesmo efeito que o assíndeto. Quantos menos palavras que são usadas, a
significância das palavras é mais forte. Mais uma outra figura de linguagem que
Rui Knopfli utiliza no poema é a sinestesia. Alguns exemplos de sinestesia no
poema são, “a ardência árabe dos olhos”, “… incandescência súbita das
palavras …”, e “o prazer saboroso e enternecido da má-língua”. O
uso da sinestesia no poema afeita o seu tom. Quando Knopfli usa descrições
sinestésicas assim, ele cria um tom místico e intrigante. As coisas que ele
retrata parecem mais enigmáticas. O uso da sinestesia também deixa que o leitor
use mais a sua imaginação, e é isso que Knopfli quer. Ele quer que pensemos e
refletimos a respeito da sua herança portuguesa. Assim, ele usa a linguagem
figurativa para chamar a atenção dos leitores àquilo que ele acha importante.
Knopfli também usa a forma e a organização do poema para
enfatizar a importância e o grande tamanho da influência portuguesa na sua
vida. No nível mais geral, podemos dividir esse poema em duas partes. A
primeira parte é composto das primeiras três estrofes e retrata os aspectos da
sua vida que são influenciadas pela cultura portuguesa. A segunda parte
consiste nos dois últimos versos do poema e retrata aquilo que ele adquiriu da
sua linhagem suíça. A primeira coisa que pode ser observada a respeito da forma
e organização é que ele escolheu colocar a descrição da influência portuguesa
primeiro. Ele quer que o leitor leia sobre a coisa mais importante primeiro
para que elas fiquem na mente e para que o leitor possa ponderar sobre elas e
internalizá-las antes de o leitor chegar na segunda parte, onde elas serão uma
base de comparação. Outro aspecto da forma do poema que mostra que a cultura
portuguesa é mais importante para Knopfli é o tamanho das duas partes. A
primeira parte, a parte sobre a cultura portuguesa, consiste em dezoito versos,
enquanto a segunda parte, sobre sua herança suíça, consiste em apenas dois. É
notável que noventa por cento do poema concentra no Portugal enquanto dez por
cento fala sobre a Suíça. Isso quer dizer que ele quer enfocar nos aspectos
portugueses da sua vida. Ele dá pouca importância aos aspectos suíços da sua
vida, como evidenciado pelo pequenez da parte do poema que fala sobre tal
assunto. A combinação da ordem e dos tamanhos das duas partes do poema aumentam
o efeito da forma e a organização que ele usa para passar sua mensagem.
Finalmente, Rui Knopfli usa contraste para mostrar como a
cultura portuguesa afeitou a sua vida mais que qualquer outra influência. Esse
contraste se manifesta em várias formas. É interessante notar que quando ele
fala sobre as coisas portuguesas, ele usa bastante linguagem rebuscada e
figurativa. Ele descreve bastante as características portuguesas. Mas ele não
descreve nada sobre as características suíças. Na verdade, os dois versos que
falam sobre as características suíças falam sobre o mínimo possível - “De suíço
tenho, herdados de meu bisavô, / um relógio de bolso antigo e um vago, estranho
nome”. Ele não entra em detalhes sobre a aparência ou a história do
relógio, nem sobre o significado ou a etimologia do sobrenome. Ele claramente
demonstra interesse a respeito da sua linhagem portuguesa e praticamente ignora
tudo que vem da Suíça. Enquanto ele fala coisas boas e bem pensadas sobre tudo
português, ele até fala mal do nome suíço que ele tem, dizendo apenas que é “um
vago, estranho nome”. O fato dele gastar bastante tempo descrevendo tudo
de português com bastante atenção e esforço e depois falando secamente sobre
sua herança suíça é um exemplo de como ele valoriza mais a cultura portuguesa
que a suíça.
Por meio do uso da linguagem figurativa, da forma e
organização do poema, e da contraste que há no conteúdo dele, Knopfli demonstra
que a sua vida foi mais afeitada pela sua herança portuguesa que as outras
influências e culturas na sua vida. E é assim na vida de todas as pessoas.
Todos tem várias culturas que influenciam as suas vidas e afeitam quem eles
são. Muitas vezes, sentimos uma conexão mais forte com uma cultura específica
que faz parte de nossa vida. Por isso, todos são diferentes, tem diferentes
gostos e valores, e pensam de diferentes jeitos. E é isso que faz com que este
mundo seja um lugar legal com novas ideias e invenções. Por isso, as pessoas
têm que celebrar suas diferenças e unirem-se.