Thursday, November 21, 2013

A cruz que o homem burro leva

Hoje de manhã, vi um homem carregando uma cruz. Fui investigar a situação, e descobri que ele carregou a cruz sete léguas para cumprir uma promessa que ele fez para a Santa Bárbara. Ele quis entrar na igreja, mas o padre não deixou, dizendo que era uma promessa para Iansã; mas esse homem não desistiu. Causou uma bagunça na praça da igreja. Veio um repórter e um monte de gente querendo saber mais. Veio uma turma de pessoas querendo ajudar a causa dele. O repórter até garantiu o sucesso desse homem, prometendo ele dinheiro e atenção da mídia. Mas esse homem “dedicado” e “santo” rejeitou tudo! Não entendo pessoas assim. Penso que a vida é um jogo. Tem regras que todo o mundo sabe, mas ninguém as segue. O propósito da vida é fazer o necessário para melhorar a sua situação. Se não houvesse outro jeito de adquirir dinheiro, até eu carregava uma cruz alguma distância se atraísse tanta atenção e gerasse tantas possibilidades de aproveitar o pessoal. Mas esse burro fez tudo aquilo por devoção a uma Santa? Felizmente, há muitas maneiras de ganhar dinheiro, e muitas pessoas que estão mais que dispostos a me ajudar na minha jornada ao sucesso. Nem é necessário trabalho árduo – o homem só precisa ser astuto. Só precisa perceber as oportunidades e usá-las para o seu proveito. Quando homem agem como um burro, ele tem uma pesada cruz para carregar – a pobreza. Deixa que este homem leve a cruz de volta para sua casa!

Bonitão

Thursday, November 14, 2013

"Bonitão: Se você viesse pra cidade, eu podia lhe garantir um bonito futuro...
 Rosa: Fazento o quê?
 Isso depois se via" (O Pagador de Promessas, p. 20)

Esta semana, discutimos na sala de aula a respeito dos aspectos de peças de teatro.  Um aspecto predominante é que sempre há simbolismo.  Teatros têm algumas limitações.  Por exemplo, uma peça de teatro é limitada pelo tempo que uma pessoa na audiência está disposta a ficar sentado assistindo.  Narrativas não têm essa limitação; os leitores podem pegar o livro é lê-lo quando têm tempo ou quando querem.  Por causa da limitação de tempo, autores de peças de teatro geralmente têm que usar bastante simbolismo para transmitir sua mensagem de modo eficaz.  Muitas coisas podem fazer parte do simbolismo de uma peça, incluindo mas não limitada ao tempo, os lugares onde passam os acontecimentos da peça, os personagens, ou até objetos.  O Pagador de Promessas é cheia de simbolismo.

Um simbolismo específico se manifesta na citação de cima.  Bonitão já implanta a ideia na cabeça da Rosa de vir morar na cidade.  A cidade representa corrupção, imoralidade, e vaidade.  Bonitão também representa essas coisas.  É mais que isso.  Ele só quer aproveitar das pessoas.  Ele vê tudo como capital que pode ser usada para criar riqueza e sucesso e melhorar a sua posição na vida.  É possível melhorar a sua situação sem aproveitar dos outros, mas ele não se importa com isso.  Ele só foca em si mesmo.  Ele representa um ideal que muitas pessoas no mundo tem.  Zé e Rosa, por outro lado, representam simplicidade, um tipo de pureza inocente e ingênuo, e até ignorância.  Eles são tão simples e tão ingênuos que parece que nem entendem o que acontece ou seu redor.  Nem parece que se importam muito.

Acho que, até agora, Gomes quer mostrar como a tolice, simplicidade, e ignorância de uma pessoa pode levar à sua destruição.  Essa destruição vem pela influência da corrupção, da imoralidade, e dos valores do mundo.  Se prestamos atenção ao mundo, podemos ver como isso é verdade.  Muitas pessoas ficam presos dessas coisas porque não tentam nem querem entender o mundo.  Não querem respeitar as pessoas ao seu redor.  Não querem aprender como melhorar as vidas das pessoas.  É isso que eu acho que o Dias Gomes quer passar para os leitores.

Thursday, November 7, 2013

O efeito da cultura

           Já se perguntou por que as pessoas no mundo são tão diferentes? Há essas diferenças na vida porque todos crescem e aprendem em diferentes situações e ambientes. Fazemos parte de comunidades, ou grupos de pessoas que têm alguns atributos e qualidades em comum. Essas comunidades podem ser famílias, bairros, cidades, estados, países, e até regiões do mundo. Mas, essas comunidades não se limitam a regiões geográficas – podem ser definidas por uma religião ou interesse, comum. Essas qualidades que caracterizam as comunidades fazem parte de tal cultura. Porque fazemos parte de tantas comunidades, acabamos adotando uma variedade de qualidades de todos esses grupos culturais. No seu poema “Auto Retrato,” o autor Rui Knopfli descreve a sua herança e as culturas que afeitaram a sua vida. Knopfli tenta passar ao leitor que a sua herança e cultura portuguesa afeitou a sua vida mais que qualquer outra cultura através do uso da linguagem figurativa, da forma de organizar o poema, e da contraste que há no poema.
O autor tenta mostrar a dominância da cultura e das qualidades portuguesas na sua vida por meio do uso de figuras de linguagem. Quando ele descreve tudo dele que foi influenciado pela sua linhagem portuguesa, Knopfli usa de uma rica linguagem figurativa. Ele utiliza o assíndeto algumas vezes no seu poema. Por exemplo, ele diz, “De português, o olhinho malandro, … a resposta certeira … , o prazer saboroso e enternecido da má-língua”. O uso do assíndeto aqui é interessante. Quando usa muitas conjunções, como a palavra “e,” a frase tende a enfatizar o tamanho da lista em vez do conteúdo dela. Mas quando se usa o assíndeto, o leitor tende a focar mais no conteúdo da lista, e é isso que Knopfli quer. Ele quer que os leitores foquem muito nos aspectos da sua vida que foram influenciados por sua herança portuguesa. Ele também usa da anáfora no seu poema, começando cada frase com as palavras, “De português.” Assim, ele enfatiza o fato que grande parte de quem ele é vem do português. Em conjunção com a anáfora, Knopfli usa o zeugma. A primeira estrofe diz, “De português tenho a nostalgia lírica...”. A segunda estrofe começa, “De português, a costela macabra …” e a terceira começa, “De português, o olhinho malandro …”. A palavra “tenho” é usada na primeira estrofe e omitia e implicada na segunda e terceira. O autor usa o zeugma para produzir o mesmo efeito que o assíndeto. Quantos menos palavras que são usadas, a significância das palavras é mais forte. Mais uma outra figura de linguagem que Rui Knopfli utiliza no poema é a sinestesia. Alguns exemplos de sinestesia no poema são, “a ardência árabe dos olhos”, “… incandescência súbita das palavras …”, e “o prazer saboroso e enternecido da má-língua”. O uso da sinestesia no poema afeita o seu tom. Quando Knopfli usa descrições sinestésicas assim, ele cria um tom místico e intrigante. As coisas que ele retrata parecem mais enigmáticas. O uso da sinestesia também deixa que o leitor use mais a sua imaginação, e é isso que Knopfli quer. Ele quer que pensemos e refletimos a respeito da sua herança portuguesa. Assim, ele usa a linguagem figurativa para chamar a atenção dos leitores àquilo que ele acha importante.
Knopfli também usa a forma e a organização do poema para enfatizar a importância e o grande tamanho da influência portuguesa na sua vida. No nível mais geral, podemos dividir esse poema em duas partes. A primeira parte é composto das primeiras três estrofes e retrata os aspectos da sua vida que são influenciadas pela cultura portuguesa. A segunda parte consiste nos dois últimos versos do poema e retrata aquilo que ele adquiriu da sua linhagem suíça. A primeira coisa que pode ser observada a respeito da forma e organização é que ele escolheu colocar a descrição da influência portuguesa primeiro. Ele quer que o leitor leia sobre a coisa mais importante primeiro para que elas fiquem na mente e para que o leitor possa ponderar sobre elas e internalizá-las antes de o leitor chegar na segunda parte, onde elas serão uma base de comparação. Outro aspecto da forma do poema que mostra que a cultura portuguesa é mais importante para Knopfli é o tamanho das duas partes. A primeira parte, a parte sobre a cultura portuguesa, consiste em dezoito versos, enquanto a segunda parte, sobre sua herança suíça, consiste em apenas dois. É notável que noventa por cento do poema concentra no Portugal enquanto dez por cento fala sobre a Suíça. Isso quer dizer que ele quer enfocar nos aspectos portugueses da sua vida. Ele dá pouca importância aos aspectos suíços da sua vida, como evidenciado pelo pequenez da parte do poema que fala sobre tal assunto. A combinação da ordem e dos tamanhos das duas partes do poema aumentam o efeito da forma e a organização que ele usa para passar sua mensagem.
Finalmente, Rui Knopfli usa contraste para mostrar como a cultura portuguesa afeitou a sua vida mais que qualquer outra influência. Esse contraste se manifesta em várias formas. É interessante notar que quando ele fala sobre as coisas portuguesas, ele usa bastante linguagem rebuscada e figurativa. Ele descreve bastante as características portuguesas. Mas ele não descreve nada sobre as características suíças. Na verdade, os dois versos que falam sobre as características suíças falam sobre o mínimo possível - “De suíço tenho, herdados de meu bisavô, / um relógio de bolso antigo e um vago, estranho nome”. Ele não entra em detalhes sobre a aparência ou a história do relógio, nem sobre o significado ou a etimologia do sobrenome. Ele claramente demonstra interesse a respeito da sua linhagem portuguesa e praticamente ignora tudo que vem da Suíça. Enquanto ele fala coisas boas e bem pensadas sobre tudo português, ele até fala mal do nome suíço que ele tem, dizendo apenas que é “um vago, estranho nome”. O fato dele gastar bastante tempo descrevendo tudo de português com bastante atenção e esforço e depois falando secamente sobre sua herança suíça é um exemplo de como ele valoriza mais a cultura portuguesa que a suíça.

Por meio do uso da linguagem figurativa, da forma e organização do poema, e da contraste que há no conteúdo dele, Knopfli demonstra que a sua vida foi mais afeitada pela sua herança portuguesa que as outras influências e culturas na sua vida. E é assim na vida de todas as pessoas. Todos tem várias culturas que influenciam as suas vidas e afeitam quem eles são. Muitas vezes, sentimos uma conexão mais forte com uma cultura específica que faz parte de nossa vida. Por isso, todos são diferentes, tem diferentes gostos e valores, e pensam de diferentes jeitos. E é isso que faz com que este mundo seja um lugar legal com novas ideias e invenções. Por isso, as pessoas têm que celebrar suas diferenças e unirem-se.

Friday, November 1, 2013

"De português tenho a nostalgia lírica
de coisas passadistas, de uma infância
amortalhada entre loucos girassóis e folguedos;
a ardência árabe dos olhos, o pendor
para os extremos: da lágrima pronta
à incandescência súbita das palavras contundentes
do riso claro à angústia mais amarga.

...
De suiço tenho, herdados de meu bisavô,
um relógio de bolso antigo e um vago, estranho nome." (Rui Knopfli, Auto Retrato)


Achei este poema muito interessante.  Esta semana na aula conversamos a respeito da diferença entre resumir e analisar um poema.  Resumir uma obra de literatura quer dizer simplificar a mensagem literal da literatura.  Um resumo deste poema seria assim: "Rui Knopfli fala sobre os muitos aspectos portugueses e os poucos suiços que fazem parte da sua vida."  O resumo é importante porque nos ajuda a analisar um pouco mas profundamente o poema.  Nos ponta na direção certa.  

Analisando esse poema nos ajuda a entender melhor a mensagem ou a ideia que o autor está tentando passar para os leitores.  Podemos analisar uma obra de literatura examinando as figuras de linguagem e lendo "entre as linhas."  A mensagem que entendi quando li este poema era a seguinte: "A herança portuguesa de Rui Knopfli é mais importante a ele que a sua herança suiça."  Ele fala quase o tempo todo sobre tudo de bom que ele adquiriu da sua herança portuguesa.  Ele usa linguagem muito colorida e boa para descrever sua linhagem portuguesa.  Depois disso, ele fala que ele só adquiriu um relógio antigo e um nome esquisito da sua herança suiça. 

Durante o poema, ele usa de metáforas para descrever sua linhagem portuguesa.  Ele faz comparações com coisas boas e místicas.  Ele usa de assíndetos para enfatizar a lista de atributos portugueses.  Ele usa de sinestesia também.  Ele usa essas e outras figuras de linguagem quando fala sobre sua herança portuguesa.  Mas quando ele fala sobre sua herança suiço, ele não utiliza figuras de linguagem.  Também ele não foca tanto na parte suiça da sua vida.  Por essas razões, acho que ele gosta mas de sua herança portuguesa.

Thursday, October 17, 2013

O Paradoxo do Amor

"Amor é um fogo que arde sem se ver;
 É ferida que dói e não se sente;
 É um contentamento descontente;
 é dor que desatina sem doer;" (Camões, Amor é um fogo que arde sem se ver)

Nesta poesia, Camões usa de algumas figuras de linguagem para transmitir a sua mensagem aos leitores.  Uma figura de linguagem que ele usa bastante é o paradoxo.  Muitas vezes, ele utiliza palavras contraditórias lado-ao-lado no verso.  Lendo a poesia pela primeira vez, pode ser difícil entender o que ele quer dizer.  O texto que coloquei acima contém vários exemplos.  Ele compara o amor com uma dor que não dói, um "contentamento descontente," e até "estar preso por vontade."  Usando tal figura de linguagem, ele desperta o interesse do leitor.  Por alguma razão, achamos interessante idéias paradoxaias.  Nosso cérebro não sabe como interpretar isso.

Ele também usa da anáfora na sua poesia.  Quase todos os versos começam com a palavra "é."  Basicamente, Camões está fazendo uma lista de coisas que descrevem o amor.  Se ele quisesse, ele podia ter feito essa lista sem começar cada frase com a mesma palavra, mas ele escolheu usar uma anáfora.  Assim, ele está enfatizando o conteúdo da lista e não uma linguagem eloquente.  É interessante isso porque dá ênfase aos paradoxos que ele também utiliza.

Acho que ele quer dizer que o amor é um sentimento que evoca confusão.  Com certeza é um bom sentimento.  Mas, as vezes, o amor nos causa dor.  Ao mesmo tempo, suportamos esse dor com paciência, porque amamos a pessoa que está causando esse sentimentos paradoxais.  Acredito que ele está tentando transmitir quão versátil pode ser o amor; ele o faz com muito eficaz através do uso de paradoxos e anáforas.

Thursday, October 10, 2013

O Morgego

"A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nossos quarto!" (Augusto dos Anjos, O morcego)

Achei essa poesia muito interessante.  Ela usa um metáforo para comparar a conciência humana com um morcego.  De acordo com essa poema, a conciência humana é uma coisa quase separada da pessoa, que a mira "à noite."  Acho que isso quer dizer que quando estamos correndo para cumprir os nossos deveres, é facil esquecer da nossa conciência.  Mas, nos momentos de paz, descanso, e reflexão, nossa consciência emerge e nos incomoda.  Não digo que dos Anjos diz "noite" literalmente; acho que noite quer dizer qualquer momento em que achamos que é nosso direito relaxar e descansar a mente.

Como qualquer ser-humano, tenho bastante experiência com a conciência.  Nem sei quantas vezes aconteceu o seguinte: Eu estou pensando só em mim e acabo fazendo algo que ofende alguem.  Inicialmente, sinto o peso da culpa de tal ação, mas logo esqueço, continuando na minha rotina corrida.  Mas não importa - sempre quando tenho um momento de sossego, a minha conciência traz a memória da ocorrência à minha mente; fico pensando naquilo até que algo surja que requêr a minha atenção.  Essa não é uma experiência agradável.  A conciência tem um jeito de perturbar a paz da gente.  É tão horrível, e acho que a comparação a um morcego é apropriado.

A conciência é algo que não entendemos.  De um contexto não-religioso, não sabemos de onde ela vem; ela simplesmente existe.  Muitas pessoas são tão incomodados por ela que elas "[pegam] de um pau. Esforços [fazem].  [Chegam] a tocá-lo."  Tentar ignorar ou arrancar de nós a nossa conciência é uma reção normal.  Como seres-humanos, temos um instinto de evitar coisas que nos machucam.  Se não podemos as evitar, o nosso instinto é de eliminá-las de qualquer jeito.  Apesar de parecer tão horrível e perturbante, a nossa conciência é algo que nos ajuda todos os dias a conviver em paz com outras pessoas.  Como a maioria de morcegos, a conciência não perigoso.  Só temos que entender de onde vem e para que serve.  O evangelho responde essas perguntas, mas essa é uma discussão para outro lugar e outro tempo.

Thursday, October 3, 2013

A pressão da sociedade

Já teve um sonho na qual você saiu de casa vestido só de cueca? Provavelmente foi um sonho um pouco traumático! Por que foi tão embaraçoso? Porque a sociedade na qual vivemos, há um padrão de como devemos nos vestir; a nossa sociedade dita que calças são uma necessidade. De onde vêm esses padrões de conduto social? Muitas vezes é impossível dizer – até os próprios membros da sociedade não sabem porque agem de uma certa forma. Muitas vezes, esses padrões nos ajudam a nos dar bem com os outros membros da sociedade, mas às vezes os padrões sociais têm um efeito negativo sobre certas pessoas. Na história “A Imitação da Rosa,” a autora Clarice Lispector dá um vislumbre da vida de uma mulher fictícia com uma doença mental. Seu nome é Laura, e mora em Tijuca, um bairro próspero em Rio de Janeiro. Nesse conto, a Clarice demonstra como a Laura quer viver o papel da mulher designada pela sociedade, mas não consegue porque a perfeição é uma coisa impossível de alcançar. Podemos ver isso especificamente na sua relação com o seu marido, na sua relação com a Carlota, e na comparação que ela faz entre Cristo, as rosas, e a vida.
A relação entre a Laura e o seu marido mostra como a Laura diverge das normas sociais; ela é muito dependente e não consegue ter filhos. Por causa de sua doença, a Laura é muito dependente e requer muita ajuda do seu marido. A própria Laura pergunta, “Há quanto tempo que não via Armando enfim se recostar com abandono, esquecido dela?” (p. 62). Ela implica que o Armando tem sido tão ocupado cuidando dela que ele não tem tido tempo para descansar. Ela explica como deve ser uma mulher perfeita: “A paz de um homem era, esquecido de sua mulher, conversar com outro homem sobre que saía nos jornais. Enquanto isso ela falaria com Carlota sobre coisas de mulheres” (p. 61). Creio que ela diz isto porque se sente culpada por ocupar tanto esforço e tempo do seu marido. Ela quer que ela possa até esquecer dela por um pouco tempo para poder se divertir e socializar com seus amigos. Além de requerer tanto do marido, ela se sente inferior porque não consegue ter filhos. Ela declara que tem “insuficiência ovariana.” Na sua sociedade, como na sociedade na qual vivemos, mulheres que cumpriam o seu papel geralmente podiam ter filhos para aumentar a sua família. Um pai normalmente tem muito orgulho de seus filhos. A Laura e o seu marido não conseguem ter filhos por causa de sua problema, então ela deve sentir-se muito inadequada. Finalmente, ela não é contenta com a sua figura.
A Laura também se sente inseguro em sua relação com outras mulheres, como demonstrado por sua relação com a Carlota. Ela diz que quer poder “[falar] com Carlota sobre coisas de mulheres” enquanto seu marido conversa sobre coisas de homens com seu amigo (p. 61). Nessa frase, Laura demonstra a ideia de que homens e mulheres tem papeis diferentes, e assim, diferentes assuntos de conversa. Mas mesmo estando e conversando com sua amiga, a Laura sente que a Laura a trata diferente por causa da doença. Ela continua, dizendo que ela era “submissa à bondade autoritária e prática de Carlota, recebendo enfim de novo a desatenção e o vago desprezo da amiga, a sua rudeza natural, e não mais aquele carinho perplexo e cheio de curiosidade” (p. 61). Creio que a Carlota percebia uma diferença na Laura por causa de sua doença, não sabia como lidar com a situação, e começou a tratá-la de maneira diferente. É claro que a Carlota é um modelo para a Laura de como deve ser uma mulher normal. A Laura descreve a Carlota como sendo “ambiciosa,” “rindo com força,” e “não vendo perigo em nada” (p. 62). A Laura se descreve como sendo “um pouco lenta” e “cuidadosa” (p. 62). Ela quer ter esses atributos que a sua amiga tem. Ela acha que a perfeita mulher deve ser ambiciosa, forte, sem medo, sempre de bom humor e com muito ânimo. Ela vê em si o oposto daquilo que vê na sua amiga. Ela não nota mal atributo algum sobre a Carlota; então, a Carlota é um modelo para a Laura da perfeição.
Apesar de ter um desejo de se conformar com as normas da sociedade, a Laura tem um conflito interno. Ela quer ser perfeita , mas também quer largar tudo e continuar a ser diferente. Ela diz que “sentira que quem imitasse Cristo estaria perdido – perdido na luz, mas perigosamente perdido. Cristo era a pior tentação.” (p. 62) Cristo é o perfeito exemplo de quem não seguiu as normas sociais. Ele pregava contra os homens influentes que enganavam para melhorar suas vidas e posições sociais. Ele ensinava doutrinas contra as atitudes e os comportamentos da sua época. Ele vivia sua vida de acordo com um padrão completamente fora do padrão da sociedade na qual ele vivia. Imitar a Cristo seria abandonar as normas da sociedade e ser uma pessoa diferente. Na situação da Laura, imitar a Cristo seria aceitar a si mesmo e tentar sentir-se confortável com si mesma. Ela acha isso perigoso, porque não quer a riscar rejeição das suas amigas. Mas ao mesmo tempo, a tentação de fazê-lo é grande. Uma parte dela quer ser “normal” de acordo com a definição criada pela sociedade; outra parte dela quer ser o que é normal para ela. Outro exemplo desse conflito se manifesta na situação das rosas. Quando ela pausa para olhar às flores, ela os acha “nunca [viu] rosas tão bonitas” (p. 66). Eu acredito que as flores são uma representação de individualidade. São diferentes que outras rosas – são únicas. A Laura tem não quer dá-las porque acha que não conseguirá encontrar rosas assim de novo. Mas ao mesmo tempo, ela quer dar as rosas para parecer uma pessoa normal e generosa. Falando a respeito da ideia de dar as rosas à Carlota, a Laura diz que “Carlota se surpreenderia com a delicadeza de sentimentos de Laura, ninguém imaginaria que Laura tivesse também suas ideiazinhas” (p. 67). Eu creio que o seu desejo de se livrar das rosas é uma metáfora. Assim como ela quer ficar com as rosas porque são diferentes e especial, ela também quer continuar sendo si mesma. Por outro lado, ela quer dar as rosas para parecer normal. Ela quer viver o papel da mulher perfeita; pelo menos, ela quer que pareça que ela está cumprindo seu papel. Assim é o conflito interno da Laura a respeito da sua divergência dos padrões sociais.
Como a Clarice demonstra no texto da “Imitação da Rosa,” a Laura é incapaz de seguir as normas designadas às mulheres da sua sociedade; por causa disso, ela sofre no seu relacionamento com seu marido e com a sua amiga até o ponto de querer se conformar com tais normas. É importante saber como essas normas afeitam os membros da sociedade. Creio que quem ler essa história aprenderá a ter mais simpatia e a aceitar mais as pessoas como são. Isso é algo que a nossa sociedade precisa bastante. Se a humanidade aprender a ignorar as normas sociais e só amar e aceitar as pessoas, podemos ter esperança num futuro de paz e igualdade.


Thursday, September 26, 2013

A Ilha Desconhecida

"Dizia que todo o homem é uma ilha, ... tu que achas, Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós." (José Saramago, O Conto da Ilha Desconhecida)

A idéia de que as pessoas são ilhas se encaixa com o tema maritimo dessa história.  Acho que essas frases apresentam o tema ou a lição que o Saramago quer ensinar.  Acredito que este conto se trata do assunto de achar a si mesmo e descobrir quem é.  De acordo com a mulher da limpeza, o filósofo do rei dizia apenas que os homens são ilhas, mas a mulher da limpeza interpretava essas palavras na situação dela.  Ela saiu do seu emprego para fazer algo diferente, algo que ela realmente queria fazer.  Ela saiu da sua ilha (falando metaforicamente) de conforto, da vida na qual ela estava confortável, para ver a ilha de fora, para descobrir quem ela realmente era.

Do outro lado, o homem ficava desapontado e perdeu o ânimo quando ele viu que talvez seu desígnio não fosse realista.  Tendo essa conversa com a mulher da limpeza não afeitou-lhe imediatamente, mas ao passar do tempo, ele percebeu que seu desejo de encontrar a ilha desconhecida não era de achar um lugar físico que ainda não havia sido descoberto; seu maior desejo era de ser feliz com a mulher da limpeza.  E assim, antes de sair do porto, eles pintaram na caravela o seu novo nome - "A Ilha Desconhecida."  Esse barco era a passagem dos dois para se conhecerem melhores.

Esse tema é interessante.  Muitas pessoas no mundo vivem a vida, tentam apenas sobreviver, fazem aquilo que lhes traz o prazer.  Poucas pessoas saem do caminho mais percorrido para descobrir o que mais há na vida.  Poucas pessoas vivem para verdadeiramente se conhecerem melhor.  Para fazer isso, temos que experimentar novas coisas.  Temos que ponderar bastante.  Temos que ter criatividade.  É uma jornada, o auto-descobrimento.

Thursday, September 19, 2013

No palco da mente

"Foi um bom negócio.  Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco." (Machado de Assis, A Chinela Turca, 8)

Vou tentar explicar com algumas palavras o que isso quer dizer para mim.  Começarei com um exemplo.  Quando eu era mais novo, li um livro chamado A Bússola de Ouro.  Eu gostava muito da história que esse livro conta.  Fique muito animado quando ouvi dizer que um filme seria feito desse livro.  Até assisti o filme na primeira semana depois que lançou.  Mas fique desapontado; o filme não era tão especial como o livro.  Eu tinha imaginado os personagens, os acontecimentos, e até as pequenas detalhas da história de modo diferente.  Tenho aprendido nos poucos anos da minha vida que geralmente gosto mais de livros do que filmes em alguns aspectos.  Quando lemos, podemos criar um mundo em nossas mentes.  Podemos moldar esse mundo como queremos dentro dos limites estabelecidos pelo escritor.  Creio que quando fazemos isso, criamos os personagens de maneira que podemos relacioná-los com as nossas vidas.  Por isso, a maioria dos leitores tiram diferentes lições da mesma história.

Acredito que o Machado de Assis está dizendo que a nossa imaginação é importante.  O Duarte ficou desinteressado na peça do major, então ele dormiu.  No seu sonho, a mente do Duarte usou vários temas da peça do major para construir uma história mais interessante.  Mas a mente do Duarte também colocou alguns elementos da vida dele.  Por exemplos, ele estava na sua própria casa no início do sonho.  A mulher com quem ele estava para casar era uma loira com olhos azuis, bem como a guria que ele começou a namorar uma semana atrás.  A história era mais interessante para ele, porque ele tinha colocado nela alguns elementos da sua própria vida.

Ampliando o tópico mais, acredito também que essa lição aplica não somente à leitura, mas também ao nosso modo de pensar.  No mundo hoje, a vida é uma correria.  São raras as vezes que paro para pensar e ponderar.  Para melhor desfrutar a vida, temos que fazer perguntas.  Temos que ser curiosos.  Temos que ter uma imaginação para descobrir aquilo que ainda não tem sido descoberto.  Temos que questionar as normas da sociedade e descobrir o que é realmente importante.  Uma vida bem aproveitada é uma vida que analisa, que calcula, que plana para o futuro, mas que também imagina, sonha, e inventa.  Então, as melhores histórias, os melhores contos, e a melhor vida não vem assistindo a reprodução de uma obra no palco; mas tudo começa no palco da nossa mente.

Thursday, September 12, 2013

Intenção e Autoridade

"But although it's helpful to know as much as you can about the circumstances of a text's authorship, it seems clear that the author is far from the final court of appeals when it comes to figuring out the meanings if his or her work.  Even if the author comes right out and tells you what he or she intended, this doesn't seem to settle very much or tell us very much about how meaning happens." (Jeffery Nealon & Susan Searls Giroux, The Theory Toolbox, 15)

Este é um tópico no qual tenho pensado e refletido bastante.  Não posso concordar nem discordar com esta frase.  Deixe-me explicar um pouco.  Já passei pela experiência de dizer algo e depois ouvir aquilo repetido, mal interpretado, e tirado do contexto por algum amigo.  Quando amigos fazem isso, geralmente é de brincadeira; mas as vezes pode ser frustrante.  Quando tento passar alguma mensagem importante para alguém, sempre dou apenas um significado àquela mensagem.  Para mim, não vale a pena escrever uma história ou romance se não é para passar uma mensagem importante, uma opinião ou uma lição que quero ensinar para o mundo.  Acredito que fora do contexto das minhas intenções, qualquer outra interpretação não tem valor algum.

Pelo outro lado, acredito que existem muitos autores que escrevem para incitar os leitores a pensarem.  Talvez eles não estejam tentando expressar algum lado de um conflito; talvez estejam tentando só fazer as pessoas pensarem no conflito ou no tópico que estão apresentando.  Apenas querem apresentar um tópico que eles julgam a ser importantes no tempo em que eles escreveram sua obra.  Acredito que realmente há muitos autores assim.


Aprendi que há vários contextos para a literatura que lemos.  Creio, ainda, que devemos pensar primeiro na intenção do autor.  Se ele queria que pensássemos em sua opinião, tudo bem.  Não temos que acreditar na opinião dele; mas temos que pelo menos considerá-la e pensar na mensagem que ele passou.  Acho que isso é a única maneira de corretamente ler o sentido da obra de um autor.

Thursday, September 5, 2013

"The Theory Toolbox"

"If we avoid encountering the reflexive or critical questions of 'theory' - if we avoid asking 'where do opinions come from?' - then we risk a situation in which 'Each day seems like a natural fact': Everything seems self-evident; everything is the way it's always been, the way it's supposed to be.  If we really believe that something is 'natural' or simply a 'fact,' why would we want to challenge it?" (Jeffery Nealon & Susan Searls Giroux, The Theory Toolbox, 5)

Eu achei esta passagem interessante porque me fez a pensar sobre as minhas idéias e opiniões.  Pensei muito na pergunta, "De onde vem as minhas opiniões?"  Percebi que as minhas opiniões e idéias vem das experiências que eu tive na vida até agora.  Ao ponderar, também me ocorreu que não há opiniões certas  e erradas.  Todo o mundo adquire diferentes experiências, e todo o mundo tem uma vida única.  São esses fatores que influenciam aquilo que acreditamos.  Todos temos nossa própria teoria de como são as coisas.

Isso me fez a pensar na religião.  Acredito na religião na qual eu cresci; o mesmo fazem muitos milhões de pessoas através do mundo.  Durante a minha missão, era-me difícil entender como as pessoas podiam escutar uma mensagem verdadeira e simplesmente ignorá-la.  Eu pensava que a verdade era tão óbvia que ninguém podia escutá-la e não a discernir.  Ao refletir sobre essa experiência, agora vejo que a realmente há uma dificuldade no mundo - pessoas já tem idéias de como é o mundo, e não querem botar essas idéias à prova.  Construímos nossas vidas no alicerce que se forma dessas idéias; questioná-las seria igual a derrubar todo o progresso que fizemos em nossa busca de achar sentido na vida.  Ainda acredito na minha religião, pois já questionei minha fé.  Já botei as minhas crenças à prova.  Já confirmei que tudo aquilo é verdade através de vários experimentos, analisando os resultados cada vez.

O que aprendi ao ponderar esta passagem é que há verdade e há opinião.  As vezes nossos preconceitos nos impedem de ver o mundo claramente.  As vezes temos que estar dispostos a colocar ao lado as idéias e opiniões que formamos ao longo da vida para aprender a verdade.  E as vezes ao colocarmos ao lado nossas teorias, descobrimos que já estávamos certos.  E as vezes, opiniões são meras opiniões.  Em alguns sujeitos ou tópicos não há uma verdade suprema.  E tudo isso pode-se aprender ponderando a simples pergunta , "De onde vem as minhas opiniões?"