"Foi um bom negócio. Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco." (Machado de Assis, A Chinela Turca, 8)
Vou tentar explicar com algumas palavras o que isso quer dizer para mim. Começarei com um exemplo. Quando eu era mais novo, li um livro chamado A Bússola de Ouro. Eu gostava muito da história que esse livro conta. Fique muito animado quando ouvi dizer que um filme seria feito desse livro. Até assisti o filme na primeira semana depois que lançou. Mas fique desapontado; o filme não era tão especial como o livro. Eu tinha imaginado os personagens, os acontecimentos, e até as pequenas detalhas da história de modo diferente. Tenho aprendido nos poucos anos da minha vida que geralmente gosto mais de livros do que filmes em alguns aspectos. Quando lemos, podemos criar um mundo em nossas mentes. Podemos moldar esse mundo como queremos dentro dos limites estabelecidos pelo escritor. Creio que quando fazemos isso, criamos os personagens de maneira que podemos relacioná-los com as nossas vidas. Por isso, a maioria dos leitores tiram diferentes lições da mesma história.
Acredito que o Machado de Assis está dizendo que a nossa imaginação é importante. O Duarte ficou desinteressado na peça do major, então ele dormiu. No seu sonho, a mente do Duarte usou vários temas da peça do major para construir uma história mais interessante. Mas a mente do Duarte também colocou alguns elementos da vida dele. Por exemplos, ele estava na sua própria casa no início do sonho. A mulher com quem ele estava para casar era uma loira com olhos azuis, bem como a guria que ele começou a namorar uma semana atrás. A história era mais interessante para ele, porque ele tinha colocado nela alguns elementos da sua própria vida.
Ampliando o tópico mais, acredito também que essa lição aplica não somente à leitura, mas também ao nosso modo de pensar. No mundo hoje, a vida é uma correria. São raras as vezes que paro para pensar e ponderar. Para melhor desfrutar a vida, temos que fazer perguntas. Temos que ser curiosos. Temos que ter uma imaginação para descobrir aquilo que ainda não tem sido descoberto. Temos que questionar as normas da sociedade e descobrir o que é realmente importante. Uma vida bem aproveitada é uma vida que analisa, que calcula, que plana para o futuro, mas que também imagina, sonha, e inventa. Então, as melhores histórias, os melhores contos, e a melhor vida não vem assistindo a reprodução de uma obra no palco; mas tudo começa no palco da nossa mente.
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