Thursday, October 3, 2013

A pressão da sociedade

Já teve um sonho na qual você saiu de casa vestido só de cueca? Provavelmente foi um sonho um pouco traumático! Por que foi tão embaraçoso? Porque a sociedade na qual vivemos, há um padrão de como devemos nos vestir; a nossa sociedade dita que calças são uma necessidade. De onde vêm esses padrões de conduto social? Muitas vezes é impossível dizer – até os próprios membros da sociedade não sabem porque agem de uma certa forma. Muitas vezes, esses padrões nos ajudam a nos dar bem com os outros membros da sociedade, mas às vezes os padrões sociais têm um efeito negativo sobre certas pessoas. Na história “A Imitação da Rosa,” a autora Clarice Lispector dá um vislumbre da vida de uma mulher fictícia com uma doença mental. Seu nome é Laura, e mora em Tijuca, um bairro próspero em Rio de Janeiro. Nesse conto, a Clarice demonstra como a Laura quer viver o papel da mulher designada pela sociedade, mas não consegue porque a perfeição é uma coisa impossível de alcançar. Podemos ver isso especificamente na sua relação com o seu marido, na sua relação com a Carlota, e na comparação que ela faz entre Cristo, as rosas, e a vida.
A relação entre a Laura e o seu marido mostra como a Laura diverge das normas sociais; ela é muito dependente e não consegue ter filhos. Por causa de sua doença, a Laura é muito dependente e requer muita ajuda do seu marido. A própria Laura pergunta, “Há quanto tempo que não via Armando enfim se recostar com abandono, esquecido dela?” (p. 62). Ela implica que o Armando tem sido tão ocupado cuidando dela que ele não tem tido tempo para descansar. Ela explica como deve ser uma mulher perfeita: “A paz de um homem era, esquecido de sua mulher, conversar com outro homem sobre que saía nos jornais. Enquanto isso ela falaria com Carlota sobre coisas de mulheres” (p. 61). Creio que ela diz isto porque se sente culpada por ocupar tanto esforço e tempo do seu marido. Ela quer que ela possa até esquecer dela por um pouco tempo para poder se divertir e socializar com seus amigos. Além de requerer tanto do marido, ela se sente inferior porque não consegue ter filhos. Ela declara que tem “insuficiência ovariana.” Na sua sociedade, como na sociedade na qual vivemos, mulheres que cumpriam o seu papel geralmente podiam ter filhos para aumentar a sua família. Um pai normalmente tem muito orgulho de seus filhos. A Laura e o seu marido não conseguem ter filhos por causa de sua problema, então ela deve sentir-se muito inadequada. Finalmente, ela não é contenta com a sua figura.
A Laura também se sente inseguro em sua relação com outras mulheres, como demonstrado por sua relação com a Carlota. Ela diz que quer poder “[falar] com Carlota sobre coisas de mulheres” enquanto seu marido conversa sobre coisas de homens com seu amigo (p. 61). Nessa frase, Laura demonstra a ideia de que homens e mulheres tem papeis diferentes, e assim, diferentes assuntos de conversa. Mas mesmo estando e conversando com sua amiga, a Laura sente que a Laura a trata diferente por causa da doença. Ela continua, dizendo que ela era “submissa à bondade autoritária e prática de Carlota, recebendo enfim de novo a desatenção e o vago desprezo da amiga, a sua rudeza natural, e não mais aquele carinho perplexo e cheio de curiosidade” (p. 61). Creio que a Carlota percebia uma diferença na Laura por causa de sua doença, não sabia como lidar com a situação, e começou a tratá-la de maneira diferente. É claro que a Carlota é um modelo para a Laura de como deve ser uma mulher normal. A Laura descreve a Carlota como sendo “ambiciosa,” “rindo com força,” e “não vendo perigo em nada” (p. 62). A Laura se descreve como sendo “um pouco lenta” e “cuidadosa” (p. 62). Ela quer ter esses atributos que a sua amiga tem. Ela acha que a perfeita mulher deve ser ambiciosa, forte, sem medo, sempre de bom humor e com muito ânimo. Ela vê em si o oposto daquilo que vê na sua amiga. Ela não nota mal atributo algum sobre a Carlota; então, a Carlota é um modelo para a Laura da perfeição.
Apesar de ter um desejo de se conformar com as normas da sociedade, a Laura tem um conflito interno. Ela quer ser perfeita , mas também quer largar tudo e continuar a ser diferente. Ela diz que “sentira que quem imitasse Cristo estaria perdido – perdido na luz, mas perigosamente perdido. Cristo era a pior tentação.” (p. 62) Cristo é o perfeito exemplo de quem não seguiu as normas sociais. Ele pregava contra os homens influentes que enganavam para melhorar suas vidas e posições sociais. Ele ensinava doutrinas contra as atitudes e os comportamentos da sua época. Ele vivia sua vida de acordo com um padrão completamente fora do padrão da sociedade na qual ele vivia. Imitar a Cristo seria abandonar as normas da sociedade e ser uma pessoa diferente. Na situação da Laura, imitar a Cristo seria aceitar a si mesmo e tentar sentir-se confortável com si mesma. Ela acha isso perigoso, porque não quer a riscar rejeição das suas amigas. Mas ao mesmo tempo, a tentação de fazê-lo é grande. Uma parte dela quer ser “normal” de acordo com a definição criada pela sociedade; outra parte dela quer ser o que é normal para ela. Outro exemplo desse conflito se manifesta na situação das rosas. Quando ela pausa para olhar às flores, ela os acha “nunca [viu] rosas tão bonitas” (p. 66). Eu acredito que as flores são uma representação de individualidade. São diferentes que outras rosas – são únicas. A Laura tem não quer dá-las porque acha que não conseguirá encontrar rosas assim de novo. Mas ao mesmo tempo, ela quer dar as rosas para parecer uma pessoa normal e generosa. Falando a respeito da ideia de dar as rosas à Carlota, a Laura diz que “Carlota se surpreenderia com a delicadeza de sentimentos de Laura, ninguém imaginaria que Laura tivesse também suas ideiazinhas” (p. 67). Eu creio que o seu desejo de se livrar das rosas é uma metáfora. Assim como ela quer ficar com as rosas porque são diferentes e especial, ela também quer continuar sendo si mesma. Por outro lado, ela quer dar as rosas para parecer normal. Ela quer viver o papel da mulher perfeita; pelo menos, ela quer que pareça que ela está cumprindo seu papel. Assim é o conflito interno da Laura a respeito da sua divergência dos padrões sociais.
Como a Clarice demonstra no texto da “Imitação da Rosa,” a Laura é incapaz de seguir as normas designadas às mulheres da sua sociedade; por causa disso, ela sofre no seu relacionamento com seu marido e com a sua amiga até o ponto de querer se conformar com tais normas. É importante saber como essas normas afeitam os membros da sociedade. Creio que quem ler essa história aprenderá a ter mais simpatia e a aceitar mais as pessoas como são. Isso é algo que a nossa sociedade precisa bastante. Se a humanidade aprender a ignorar as normas sociais e só amar e aceitar as pessoas, podemos ter esperança num futuro de paz e igualdade.


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